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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Autores e suas Obras


Lygia Fagundes Telles



Contista e romancista, Lygia Fagundes Telles nasceu em São Paulo, mas passou a infância em pequenas cidades no interior do Estado, onde o pai, o advogado Durval de Azevedo Fagundes, foi delegado e promotor público. A mãe, Maria do Rosário (Zazita) era pianista. Algumas das cidades percorridas: Sertãozinho, Areias, Assis, Apiaí e Descalvado. Voltando a residir com a família em São Paulo, formou-se em Direito (Faculdade do Largo de São Fransisco) e cursou ainda a Escola Superior de Educação Física da mesma Universidade. Foi casada com o jurista e ensaísta Goffredo Telles Júnior. Divorciada, casou-se com o crítico de cinema e fundador da Cinemateca Brasileira, Paulo Emílio Salles Gomes. Tem um filho, Goffredo Telles Neto, cineasta. 
Lygia Fagundes Telles começou a escrever muito cedo, o que a levou a considerar seus primeiros livros "muito imaturos e precipitados". Segundo o crítico Antonio Candido, o romance Ciranda de Pedra (1954) seria o marco da sua maturidade intelectual. Concordando com esse critério, a autora considera a sua obra a partir dessa data. Participante e testemunha desse tempo e desta sociedade, a escritora classifica sua obra como de natureza engajada, ou seja, comprometida com a condição humana nas suas desigualdades sociais. 
Recebeu diversos prêmios literários, dentre os quais o do Instituto Nacional do Livro, 1958; o Guimarães Rosa, 1972; o Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras, 1973; o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, 1980; e o Pedro Nava, de melhor livro do ano, 1989. A coletânea de contos A Noite Escura e mais Eu recebeu três importante prêmios literários: melhor livro de contos, da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro; Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, São Paulo; e Aplub de Literatura, Porto Alegre. 
Lygia Fagundes Telles tem participado de feiras de livros e congressos realizados não só no Brasil, mas também em Portugal, Alemanha, Espanha, França, Itália, República Tcheca, Suécia, Canadá, Estados Unidos e México, países nos quais foram publicados seus contos e romances. Condecorações: Ordem do Rio Branco (Brasil), Infante Dom Henrique (Portugal), Ordre dês Arts et dês Lettres-Chevalier (França) e Orden Al Mérito Docente y Cultural Gabriela Mistral – Gran Oficial (Chile). A escritora pertence à Academia Paulista de Letras e à Academia Brasileira de Letras. É membro do Pen Club do Brasil. 
obras
romance
Ciranda de Pedra (1954)
Verão no Aquário (1963)
As Meninas (1973)
As Horas Nuas (1989) 
contos
Antes do Baile Verde (1972)
Seminário dos Ratos (1977)
Mistérios (1981)
A Estrutura da Bolha de Sabão (1991)
A Noite Escura e mais Eu (1996)
Venha Ver o Pôr-do-sol (1987)
Oito Contos de Amor (1997)
Invenção e Memória (2000) 
miniaturas
A Disciplina do Amor (1980)

Fotos desse período.



Crianças na guerra civil espanhola (1936-1939)
Fotógrafo desconhecido

Uma das fotos mais famosas da Guerra Civil Espanhola é atribuída a Robert Capa. O momento exato da morte de um soldado republicano perpetuou a imagem de uma guerra fratricida, primeiro símbolo dos "fascínios ideológicos' que marcariam inevitavelmente o século XX.

Foto: Guerra Civil Espanhola.
Federico García Lorca foi morto por tropas falangistas
no dia 19 de agosto de 1939


                                       O conflito na foto de Centelles Osso.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Relação entre a Guerra Cívil Espanhola e o Estado Novo

A compreensão das clivagens ideológicas e dos ecos da Guerra Civil Espanhola na sociedade brasileira devem ser apreendidas no duplo contexto da radicalização política da década de 1930 e da consolidação do conservadorismo com o golpe de1937 e a imposição da ditadura do Estado Novo. Nesta moldura política foi que se deu a emergência da ideologia integralista, refletindo no plano nacional os ecos do nazi-fascismo, do salazarismo e do franquismo.
Cumpre ressaltar que o impacto da Guerra Civil Espanhola no Brasil produziu clivagens ideológicas diversas, ao apontar para a esquerdização presente no vocábulo república. Uma radicalização política que produziu efeitos na forma de pensar a revolução e a república a partir da eclosão da guerra civil na Espanha.

A lição da Espanha veio mostrar, mais uma vez, a esterilidade dos governos de força. Há vários anos, a monarquia espanhola, sentindo vacilar nos alicerces o edifício a que se abriga, pediu escora à ditadura militar, e, por dilatado prazo foi vivendo, mais ou menos tranquila, graças ao auxílio desta escora.

O Estado Novo

No dia 10 de novembro de 1937, o presidente Getúlio Vargas anunciava o Estado Novo, em cadeia de rádio. Iniciava-se um período de ditadura na História do Brasil.
Alegando a existência de um plano comunista para a tomada do poder ( Plano Cohen ) Getúlio fechou o Congresso Nacional e impôs ao país uma nova Constituição, que ficaria conhecida depois como "Polaca" por ter se inspirado na Constituição da Polônia, de tendência fascista.
O Golpe de Getúlio Vargas foi articulado junto aos militares e contou com o apoio de grande parcela da sociedade, pois desde o final de 1935 o governo havia reforçado sua propaganda anti comunista, amedrontando a classe média, na verdade preparando-a para apoiar a centralização política que desde então se desencadeava. A partir de novembro de 1937 Vargas impôs a censura aos meios de comunicação, reprimiu a atividade política, perseguiu e prendeu inimigos políticos, adotou medidas econômicas nacionalizantes e deu continuidade a sua política trabalhista com a criação da CLT em 1943.
O principal acontecimento na política externa foi o desenvolvimento da 2º Guerra Mundial (39-45), responsável pela grande contradição do governo Vargas, que dependia economicamente dos EUA e possuía uma política semelhante à alemã. A derrota do Nazi fascismo contribuiu decisivamente para o fim do Estado Novo.

Em 1939, durante o Estado Novo, Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), inicialmente sob a direção do jornalista Lourival Fontes.
As funções do Departamento, conforme própria cartilha interna explica, eram de "centralizar, coordenar, orientar e superintender a propaganda nacional, interna ou externa (...) fazer a censura do Teatro, do Cinema, de funções recreativas e esportivas (...) da radiodifusão, da literatura (...) e da imprensa (...) promover, organizar, patrocinar ou auxiliar manifestações cívicas ou exposições demonstrativas das atividades do Governo".
Para enviar aos jornais as notícias sobre os atos do governo, criou-se uma subdivisão do DIP, a Agência Nacional, que fornecia cerca de 60% das matérias publicadas na imprensa, destacando a organização do Estado e os valores nacionalistas, ou seja, responsável por uma propaganda essencialmente ideológica O DIP foi uma das estruturas fundamentais para a manutenção da ditadura varguista, sendo que a propaganda desenvolvida por ele foi responsável por difundir a imagem do progresso e do desenvolvimento associados diretamente à figura de Vargas. A valorização da imagem do líder é uma das características dos regimes fascistas, assim como dos governantes populistas.


Comunismo

O conceito de comunismo refere-se tanto a determinadas doutrinas políticas, sociais e econômicas como a regimes que pretendem realizar na prática os postulados dessas doutrinas. Portanto, é necessário distinguir doutrinas de regimes, já que entre eles a correspondência é imperfeita.
A doutrina comunista apresenta numerosas variantes, todas elas preconizando a abolição da propriedade particular e a apropriação e comum de todas as coisas que satisfazem, direta ou indiretamente, necessidades humanas. O objetivo do comunismo é atingir assim a mais ampla igualdade entre os membros da sociedade. Pressupõe que a eliminação de toda e qualquer desigualdade (pelo menos no que se refere ao bem-estar material) também leve ao desaparecimento do antagonismo entre grupos e classes sociais.




A cada um segundo sua necessidade




As doutrinas comunistas mais antigas, anteriores à Revolução Industrial, punham toda ênfase nos aspectos distributivistas, colocando a igualdade social, isto é, a abolição das classes e estamentos, como o objetivo supremo. Com Karl Heinrich Marx (1818-1883) e Freidrich Engels (1820-1895), fundadores do chamado "socialismo científico", a ênfase deslocou-se para a plena satisfação das necessidades humanas, possibilitada pelo desenvolvimento tecnológico: mediante a elevação da produtividade do trabalho humano, a tecnologia proporcionaria ampla abundância de bens, cuja distribuição poderia deixar de ser antagônica, realizando-se a igualdade numa situação de bem-estar geral.
A patir dessa formulação, que teve profunda influência sobre o comunismo contemporâneo, a sociedade comunista seria o coroamento de uma longa evolução histórica. Os regimes "anteriores", principalmente o capitalismo e o socialismo, cumpririam o seu papel histórico ao promover o aumento da produtividade e, portanto, as pré-condições da abundância de bens, cuja distribuição poderia deixar de ser antagônica, realizando-se a igualdade num situação de bem-estar geral.
A partir dessa formulação, que teve profunda influência sobre o comunismo contemporâneo, a sociedade comunista seria o coroamento de uma longa evolução histórica. Os regimes "anteriores", principalmente o capitalismo e o socialismo, cumpririam o seu papel histórico ao promover o aumento da produtividade e, portanto, as pré-condições da abundância, que caberia ao comunismo transformar em plena realidade. Enquanto o capitalismo desempenha esse papel mediante a emulação da concorrência, o socialismo deveria manter, em certa medida, essa emulação ao repartir os bens ainda escassos "a cada um segundo o seu trabalho". Só o comunismo, que corresponderia ao pleno "reino da liberdade e da abundância", poderia instaurar a repartição segundo o princípio de "a cada um segundo sua necessidade". 



Nazifascismo



Os termos facismo e nazismo são frequentemente - mas incorretamente - usado como sinônimos. O nazismo é geralmente considerado como uma forma de fascismo, mas o nazismo, em contraste com o fascismo, viu o objetivo do estado no serviço de um ideal daquilo que o estado supostamente deveria ser: as suas pessoas, raças, e a engenharia social destes aspectos da cultura com o fim último de uma maior prosperidade possível para eles às custas de todos os outros.
Por seu lado, o fascismo de Mussolini continuou fiel à ideologia de que todos estes fatores existiam para servir o estado e que não era necessariamente no interesse do Estado servir ou manipular algumas daquelas características. O único objectivo do governo sob o fascismo era auto-valorizar-se como a maior prioridade da sua cultura, simplesmente sendo o Estado em si, quanto maior a sua dimensão, melhor, pelo que se pode dizer que se tratou de uma Estadolatria (idolatria do estado)governamental. Enquanto o Nazismo era uma ideologia metapolítica, vendo a si mesmo apenas como uma utilidade pela qual uma condição alegórica do seu povo era o seu objectivo, o fascismo era uma forma sinceramente anti-socialista de Estatismo que existiu por virtude de e com fins em si mesmo. O movimento Nazista falou da sociedade baseada em classes como o seu inimigo e pretendia unificar o elemento racial acima de classes estabelecidas, enquanto que o movimento fascista tentou preservar o sistema de classes e sustentou-o como a fundação de cultura estabelecida e progressiva.
Este teorema subjacente fez os fascistas e nazistas de então verem-se como parcialmente exclusivos entre si. Hoje, no entanto, esta diferença não é patente na terminologia, mesmo quando usada num contexto histórico.

Fascismo








O fascismo é uma corrente prática da política que ocorreu na Itália, opondo-se aos diversos liberalismossocialismos e democracias. Surgiu no período entre guerras, e abriu caminhos para o surgimento de diversos outros movimentos e regimes de extrema direita.
A palavra fascismo com o tempo foi associada a qualquer sistema de governo que, de maneira semelhante ao de Benito Mussolini, exalta os homens e usa modernas técnicas de propaganda e censura, fazendo uma severa arregimentação econômica, social e cultural, sustentando-se no nacionalismo e em alguns casos até na xenofobia, privilegiando os nascidos no próprio país, apresentando uma certa apatia ou indiferença para com os imigrantes.
Benito Mussolini, professor primário e mais tarde jornalista, fundou o Partido Nacional Fascista, originário de um movimento paramilitar que ele mesmo criara para combater as agitações e as greves organizadas por outros socialistas e movimentos de esquerda. OFascio di Combatimento, ou Esquadra de Combate, que deu origem ao fascismo, buscou seu nome na expressão fascio, que significa feixe de varas. O feixe de varas, simbolizando união e força, vem do latim fesce, um feixe de varas que, junto com uma machadinha, era levado pelo litor, uma espécie de oficial de justiça que, na Roma antiga, seguia os magistrados para executar as decisões da justiça, com poderes para coagir, incluindo a aplicação de castigos físicos.
O Fascismo italiano assumiu que a natureza do Estado é superior à soma dos indivíduos que o compõem e que eles existem para o Estado, em vez de o Estado existir para os servir. Todos os assuntos dos indivíduos são assuntos do Estado.
O Fascismo tinha como principais características: o totalitarismo, a liderança carismática, o corporativismo, o nacionalismo, o militarismo,o expansionismo e o companheirismo entre os nazistas.
No totalitarismo, as liberdades do indivíduo eram suprimidas e o povo era subordinado ao poder sem limites do Estado. Na liderança carismática, os fascistas demonstravam muita importância à personalidade. O corporativismo substituía os órgãos representativos como sindicatos, pelos corporativos, comandados por representantes dos empresários, dos trabalhadores e reuniam-se para dirigir e planejar a economia. O nacionalismo afirmava que a nação era a forma suprema de desenvolver as comunidades humanas. O militarismo tinha na guerra um tipo de seleção dos mais fortes e capazes e um instrumento de fortalecimento e e regeneração dos povos. O expansionismo tinha como ideia principal a conquista territorial e o domínio de outros povos ditos "inferiores".
Um traço característico do Fascismo foi o Corporativismo de Estado, realizado através de um Partido Único e de Sindicatos Nacionais subordinados ao Estado. No seu modelo corporativista de gestão totalitária, as várias funções do Estado podiam ser desempenhadas por entidades particulares, sem que fossem nacionalizadas, mas cabia ao Estado planear e inspeccionar a sua ação. A atividade privada era deste modo empregue pelo Estado, o qual podia decidir suspender a suas atividades se não atuasse de acordo com as instruções e os planos superiormente estabelecidos. É o Estado quem define a utilidade e a direção de todas as atividades da Nação, seja no campo político, económico, social ou cultural.
O fascismo surgiu em tempo de crise, nas dificuldades económicas e sociais do primeiro pós-guerra, e na grande depressão dos anos 1930, quando as elites políticas se mostravam incapazes de integrar as massas através da fórmula democrática parlamentar ou quando existia um crescimento socialista ou comunista paralelo assustando as classes médias
A composição social dos movimentos fascistas foi historicamente a de pequenos negociantes, burocratas de nível baixo e as classes médias. O Fascismo também encontrou sucesso nas áreas rurais, especialmente entre agricultores, e na cidade entre as classes trabalhadoras. Um aspecto importante do fascismo é que ele usa os seus movimentos de massa para atacar as organizações que se reivindicam das classes trabalhadoras - partidos operários e sindicatos.
O líder fascista foi em regra um ator exagerado, procurando seduzir as massas populares para o seu papel messiânico.